terça-feira, 1 de maio de 2012

Senna: O Herói nacional

Todo "1º de maio" é dia de reflexão e saudade.

Há exatos 18 anos o Brasil perdia seu maior ídolo de todos os tempos.

E esse ídolo não foi Pelé, nem Garrincha, tampouco  Zico, muito menos Ronaldo.

Não fazia parte do cenário futebolístico - que é o esporte mais praticado aqui no Brasil.

O nosso verdadeiro herói, que honrava a bandeira das cores verde e amarelo, que tinha orgulho de dizer que era brasileiro, que fazia questão de representar toda nação, que dava o sangue pelo esporte, é um piloto de Fórmula 1.

O nosso verdadeiro herói conseguia juntar o país todo numa só corrente.

O nosso verdadeiro herói tinha o poder de misturar raças, cores, condições sociais e quebrar qualquer tipo de preconceito existente.

Enfim, o nosso verdadeiro herói é, até os dias atuais, Ayrton Senna da Silva.

O grande Senna!


sexta-feira, 27 de abril de 2012

Estamos carentes de mais "Guardiolas"

Pep Guardiola anunciou há poucas horas sua saída do Barcelona.

A decisão partiu do próprio treinador que, segundo ele, disse estar desgastado no cargo que exerce no clube catalão.

Dirigentes do clube não queriam sua saída. A torcida não queria. Os mais apaixonados pelo futebol bonito não queriam. Enfim, ninguém queria.

Diferentemente dos outros que deixam seus clubes, o treinador sequer perdeu comando sobre seus jogadores.

Nada disso.

Guardiola apenas seguiu a lei da vida que diz que tudo tem um começo, meio e fim.

Para ele, chegou o momento de se afastar do clube que foi jogador, ídolo, capitão e treinador.

Não me parece uma eterna despedida, um fim de casamento. Pelo contrário. Pep tem fortes raizes no Barça.

E elas ficam cada vez mais evidentes.

Aliás, sua própria saída é uma prova de amor ao clube.

Apaixonado pelo que faz, não duvido nada que Guardiola esteja se culpando - embora não tenha a menor culpa - pela desclassificação do Barcelona na Champions League, e por isso prefere se afastar.

Perderemos uma peça importantíssima, talvez a mais importante, pelo resgate de um futebol tão mágico apresentado nos últimos anos e que não víamos há tempos.

Que ele volte ao cenário esportivo o quanto antes.

Precisamos de mais "Peps-Guardiolas"...



Em 12 de fevereiro de 2012, a Folha Ilustrada, caderno da Folha de S. Paulo, publicou uma matéria fantástica sobre Pep Guardiola.

Com uma abordagem mais poética, a matéria, escrita por Alexandre Gonzalez e traduzida pela Folha de S. Paulo, conta como surgiu o técnico/treinador Guardiola.

Vale muito a pena ler.



Como Pep se tornou Guardiola – Esmero e obsessão

ALEXANDRE GONZALEZ

TRADUÇÃO SOPHIE BERNARD

ILUSTRAÇÃO MARCELO COMPARINI


RESUMO

Símbolo do Barcelona por uma década, Josep Guardiola pendurou as chuteiras em 2006 com o projeto de ser treinador. Ao contrário da maioria dos ex-jogadores que trilham esse caminho, foi estudar e buscar as lições de seus mentores. Propondo um futebol mais de razão que de resultados, Pep já conquistou 13 dos 16 títulos que disputou como técnico do Barça.

“Meu pai diz que preciso me reconverter. Pergunta o que quero fazer da vida. Não sei o que dizer; talvez que não vá fazer nada. Mas ele insiste, quer que eu me mexa, para não passar a imagem de preguiçoso. Mas, pai, talvez eu não faça nada mesmo da vida…”

Em 2 de agosto de 2006, Josep Guardiola deu uma de suas últimas entrevistas. Poucas semanas antes, ainda jogava no desconhecido Dorados de Sinaloa, time mexicano cujo nome soa mais como uma franquia de beisebol de segunda divisão do que como um clube de futebol profissional.

O fim de carreira do meia catalão não foi à sua altura e, em suas palavras, sua reconversão também não parece lá muito bem encaminhada. Mas, atrás do discurso depressivo, o que Guardiola não diz é que passou o verão em Madri. E que sabe exatamente para onde vai.


DIPLOMA

O mês de julho de 2006 é intenso para o ex-capitão do Barça. Todo dia, ele vai até o subúrbio de La Rosas, rumo à Ciudad del Fútbol, na capital da Espanha. Lá, acompanha aulas com assiduidade, preparando-se para se diplomar treinador. O aluno é aplicado e talentoso.

“A escola nacional de futebol espanhola não tem ranking de classificação para os diplomados, mas posso dizer tranquilamente que Guardiola estava entre os três melhores da classe”, lembra Oscar Callejo, secretário da escola.

Com o diploma em mãos, Guardiola não se dá por satisfeito. Para completar a formação, aconselha-se com treinadores que admira.

“Ele ligou para mim e para um monte de outros treinadores. Hoje parece coisa de doido: ligar para falar de jogo, analisar, descascar. Ele tem uma sede insaciável de debater. Eu sabia quando começavam as conversas com ele, mas nunca quando iam terminar”, diz o técnico argentino Angel Cappa.

Ex-adjunto de César Luis Menotti e depois de Jorge Valdano no Real Madrid, treinador do Huracan e do River Plate -foi quem descobriu Javier Pastore-, Cappa foi para a casa de Guardiola em Barcelona no final de 2006. “Não sei se ele já pensava em ser treinador, mas para mim era óbvio. É raro um jogador querer tanto colocar um jogo numa mesa de dissecação.”

LA VOLPE

Obsessivo e perfeccionista, Pep lista os técnicos com quem os quais gostaria de conversar. O primeiro é um argentino de bigode ameaçador, desconhecido na Europa, Ricardo La Volpe.

Na Copa do Mundo de 2006, Guardiola escreveu no jornal “El País”, e suas análises dos jogos e reflexões sobre futebol deixaram muita gente desconcertada. Só uma seleção agrada ao catalão. Não é a Alemanha de Jürgen Klinsmann, nem a Itália de Marcello Lippi, mas o México de La Volpe.

Ele escreveu: “Johan Cruyff dizia: o mais importante no futebol é que os melhores jogadores sejam os zagueiros. Se você sai com a bola, consegue jogar; se não, não faz nada. Johan diz que a bola equilibra um time. Se perde a bola, o time se desequilibra; se perde pouco, consegue manter o equilíbrio. La Volpe decidiu que sua defesa saísse jogando, e não que começasse jogando, o que é diferente.

“Para La Volpe, começar a jogar é tocar a bola entre os zagueiros, sem maiores intenções. Mas La Volpe os obriga a fazer outra coisa. Ele os obriga a sair jogando, obriga os jogadores e a bola a avançarem juntos e ao mesmo tempo. Soube que, nos treinos, La Volpe pede aos zagueiros que corram com a bola por 30 minutos sem parar. Se alguém faz um passe errado, se o campo não é usado em toda a sua extensão, se um passe não é dado para o goleiro como manda o jogo, ele pede para recomeçar do zero.

“Ele corrige, grita, e tudo recomeça. Uma vez, depois outra. Cem vezes, se for preciso. E ver seu México jogar é fantástico.”

Nem mais nem menos do que uma declaração de amor.

Mesmo que isso não agrade a Guardiola e ao seu romantismo, La Volpe foi demitido após ser eliminado nas oitavas de final, apesar de os mexicanos terem dominado a Argentina durante todo o jogo; o futebol só vive de vitórias.

Pouco acostumado a falar com a imprensa, La Volpe declarou: “Sei que Guardiola mencionou meu nome várias vezes, dizendo que fui um dos que mais o influenciaram. Talvez se inspirasse em mim nas triangulações ao chegar à área adversária. E disseram que dedicou a mim a Liga dos Campeões de 2009 [Barcelona 2 x 0 Manchester United], mas ele nunca me disse isso.

“Acho que seguimos o mesmo caminho. Gostamos de tomar a iniciativa do jogo, que o jogador assuma a responsabilidade de conduzi-lo. É assim que se faz bom futebol. Ele faz isso e ainda vence. Alguns de nós foram criticados por tentar e não vencer, é a regra do jogo”.

La Volpe seria demitido do Boca Juniors (2006), do Vélez Sarsfield (2007), do Monterrey (2008) e da seleção da Costa Rica (2011). Apaixonado pelo método argentino, como mostram suas relações com Cappa e La Volpe, por fim Guardiola atravessa o Atlântico.

Aproveitou uma viagem a trabalho de seu amigo David Tureba, cineasta e escritor, para voar a Buenos Aires. Era outubro de 2006.


ARGENTINA

Na capital argentina, Pep deixou sua bagagem num hotel do bairro de Palermo. A primeira visita que fez não foi a um treinador, mas a um nerd louro, um Mark Zuckerberg argentino, de cabelo comprido. Matias Manna é o criador do blog Paradigma Guardiola (paradigmaguardiola.blogspot.com). Ele analisa, com vídeos, pausas e reflexões perspicazes, o futebol de Pep.

“Desde 2005, vou decifrando a maneira de pensar e as convicções futebolísticas de Guardiola”, diz Manna. Ele conta como começou sua amizade com o atual treinador do Barcelona: “Eu o contatei por e-mail e ele respondeu. Sempre se mostrou aberto. Um dia, disse que estava vindo à Argentina e propôs um encontro. Passamos um dia juntos. Falamos muito de futebol.

“Dei a ele o livro ‘Lo Suficientemente Loco’, uma biografia de Marcelo Bielsa. Ele me agradeceu e foi deixar as malas no quarto. Quando desceu, minutos depois, citou quatro ou cinco conceitos de jogo que estavam no livro. Isto é: no elevador, voltando do quarto, já tinha entendido a essência.”

No dia seguinte, Guardiola decidiu assistir a um River-Boca, no Monumental de Nuñez. Seu ex-colega no Dorados Angel “Matute” Morales, conseguiu um ingresso para ele. Pep se misturou à multidão e, na fila para entrar, foi parado por seguranças. “Não o reconheceram”, conta Morales. “Foi revistado como qualquer um, mas não disse uma palavra, não protestou.”

Seu caminho o levou a César Luis Menotti, técnico campeão do mundo em 1978 e técnico do “seu” Barça na temporada 1983-84.

Como um velho sábio, Menotti recebeu aquele que, por enquanto, era só um jovem aposentado do futebol. O encontro aconteceu num restaurante do bairro de Belgrano, em meio a uma nuvem de fumaça de cigarro e cheiro de uísque.

“Quando Pep me procurou, algo já o distinguia: ele tinha ideias claras. Não chegou como outros, que queriam que eu desse o caminho, como se fosse o Messias. Ele já sabia. Então disse a ele: ‘Quer ser treinador? Não tenha dúvidas, vá fundo. Seja treinador, e assim as críticas serão mais bem divididas, não vão mais ser só para mim’.”

Guardiola deixou-se seduzir e também tranquilizar pelo discurso radical do mentor de Maradona. O terceiro e último encontro irá confortá-lo ainda mais na sua decisão.


EREMITA

Maximo Paz, província de Santa Fe. Josep Guardiola marcou um encontro com o eremita do futebol argentino, “el loco” Marcelo Bielsa. Então afastado do futebol desde 2004, Bielsa vivia confinado em casa, sem dar sinais de vida.

Guardiola conseguiu o encontro graças a Lorenzo Buenaventura, seu treinador pessoal quando jogava na Itália e ex-adjunto de Luis Bonini, o braço direito de Bielsa. Hoje, Buenaventura é o preparador físico do Barcelona. A fascinação de Guardiola por Bielsa data da Copa do Mundo asiática de 2002, quando “el loco” treinava a seleção argentina.

Na época, Guardiola declarou: “Para mim, o time mais interessante do torneio é a Argentina, mesmo que não tenha passado da primeira fase. Jogou muito bem, apesar de vivermos num mundo onde, se você ganha, é bom, mesmo que não tenha ficado com a bola; e, se você perde, não importa se tentou, se teve a bola, se o time estava organizado e se tinha apostado no 3-4-3, como Bielsa fez. Você perde e é um fiasco. Vejo isso de outra forma.”

Por 12 horas, em volta de um “asado” (churrasco argentino), os dois conversaram, assistiram a trechos de jogos, debateram, brigaram, se reconciliaram e recomeçaram. Um tema, ou melhor, um homem os une acima de tudo: Louis van Gaal.

O técnico holandês é o único europeu que Bielsa já tomou como exemplo: “O modelo estrangeiro que mais me agrada é o do Ajax de Van Gaal. Ele tem um time flexível para compor suas linhas conforme as exigências do adversário na hora de recuperar a bola. O que interessa é que o time tenha um projeto de jogo próprio nos momentos ofensivos. Calculei que o Ajax dava uma média de 37 passes para trás. O torcedor via isso como recusa a jogar, mas esse passe para trás era o início de um novo ataque.”

No seu livro “Mi Gente, Mi Fútbol” (2001), Guardiola diz o mesmo de seu treinador: “Poucos times me seduziram tanto quanto o do Ajax de Van Gaal, com sua facilidade para criar o jogo da defesa, a velocidade dos jogadores das laterais e seu modo de passar a bola. Aquele Ajax conseguia resolver de maneira fantástica todos os ‘um contra um’ de um jogo. No ataque e na defesa. Assumiam todos os riscos que um time pode correr.

“Aquele Ajax tinha algo que me surpreendia, espantava, maravilhava. A disciplina do posicionamento. A posse de bola como ideia de base. O jogo constantemente sustentado. Os movimentos de dois toques… E eles faziam isso de forma tão simples quanto sublime. O Ajax de Van Gaal dava aulas de futebol aos que conheciam perfeitamente o jogo.”


‘SANGUE’

Nutrido pelo futebol total de Johan Cruyff, Guardiola consegue, acima de tudo, aplicar maravilhosamente bem os preceitos de Bielsa. “Procuro ocupar as laterais, porque a maioria das situações perigosas vem delas. O contrário significa centralizar o jogo. Qualquer estudo revela que 50% dos gols finalizados vêm das laterais. Se um treinador quer que o time domine o jogo, deve posicionar no mínimo dois jogadores por setor. Nunca posiciono os jogadores com o intuito de atacar usando o contra-ataque.

“Para mim, trata-se, antes de mais nada, de uma questão de posse de bola. Se der para ficar com ela, por que devolvê-la? Não preparo um time para esperar. Um grande time não é condicionado pelo rival. O fundamental é ocupar direito o campo, ter um time curto, com uma linha de defesa e uma de ataque separadas por no máximo 25 metros, e que nenhum zagueiro esteja ocupado marcando um adversário que não existe.”

Tocado pela sinceridade quase ingênua de Guardiola, Bielsa perguntou: “Você, que conhece toda a sujeira do mundo do futebol, o alto grau de desonestidade de certas pessoas, por que quer tanto voltar e treinar jogadores? Gosta tanto desse sangue?”. Guardiola respondeu: “Preciso desse sangue”.

O fato é que o catalão vai usar outro método de Bielsa, o de não entregar nada à imprensa. Recluso no seu silêncio há mais de uma década, o argentino havia justificado assim sua vontade de não falar: “Por que eu deveria dar entrevista a um jornalista poderoso e negá-la a um repórter do interior? Por que deveria participar de um programa que tem picos de audiência toda vez que apareço e não me deslocar até uma pequeno rádio local? Qual a lógica? Meu interesse?”.

Guardiola se apoderou da fórmula. Depois de virar treinador do Barça, não deu mais nenhuma entrevista individual. Só vai às coletivas obrigatórias do clube.


JOGO BONITO

Pep voltou à Espanha está seguro de si como nunca. Dias depois de deixar a Argentina, em 22 de outubro de 2006, declarou ao jornal “Marca”: “Por que não poderíamos ter treinadores que defendam o jogo bonito? Converso com muitos treinadores: ‘Como é esse jogador? Como faz aquele?’. Mas não tem receita. No futebol, ganha-se com estilos muito diferentes. Precisamos fazer as coisas como as sentimos. É a partir da bola que se constrói um time.”

Em 2006, Josep Guardiola tinha 35 anos, tinha ideias, mas continuava desempregado. “Seu” clube, embora fosse campeão europeu, estava desabando. Contagiado pela suficiência, o Barça de Frank Rijkaard vivia suas últimas horas de glória. Txiki Begiristain, diretor esportivo do Barcelona e braço direito de Joan Laporta, logo foi consultado por alguns dirigentes, sabendo das intenções de Guardiola.

Begiristain então decidiu, para que seu ex-colega se acostumasse, confiar a ele a direção da categoria de base e dar a Luís Enrique o Barça B. Desapontado, mas leal a seu clube de sempre, Pep aceitou. Só pediu um último encontro com Begiristain. “Pep me falou sobre sua vontade de treinar. Entendi que era o momento dele”, diz o ex-diretor dos esportes do Barça.

Em 21 de junho de 2007, seis meses depois da viagem à Argentina, Guardiola foi nomeado treinador do Barça B, que estava na terceira divisão do campeonato espanhol.

Munido de princípios e teorias, foi confrontado pela primeira vez com a realidade da vida de treinador. Alertado por amigos sobre as dificuldades das divisões inferiores, o primeiro trabalho do técnico “blau-grana” (azul e grená) consistiu na seleção de um grupo.

Ele tinha poucos dias para reduzir o número de jogadores de 50 a 23, destruindo o sonho de vários. As primeiras dúvidas surgiram logo no primeiro jogo, que acabou… em derrota. Guardiola se empenhou, construiu um time no qual um certo Sergio Busquets se impôs no meio do campo; no qual, na ponta direita, Pedro Rodriguez oferecia seu jogo feito de percussões.

Dois meses após o início do campeonato, Guardiola resumiu: “Ser treinador é fascinante. É por isso que os treinadores acham tão difícil parar. O trabalho traz uma sensação permanente de excitação, de que o cérebro gira o tempo todo a cem por hora. Começar na terceira divisão me tornará um treinador melhor, se um dia eu ocupar o banco de um profissional. Hoje sou melhor que dois meses atrás.

“Nunca tinha sido confrontado com 25 caras esperando que eu dissesse algo. Hoje posso ficar tranquilo na frente deles. Antes, no intervalo, não sabia o que dizer.”


NÚMERO UM

Guardiola sabia as palavras certas, seu time venceu o campeonato e o Barça B subiu para a segunda divisão.

Ao mesmo tempo, no andar de cima, Rijkaard deixou escapar para o Real, pela segunda vez seguida, uma liga que estava na mão. Laporta entendia que o holandês não tinha mais autoridade sobre um grupo dominado pelos egos de Ronaldinho Gaúcho e Samuel Eto’o. Começou então uma disputa de poder nos bastidores do Camp Nou entre os conselheiros do presidente.

Laporta conta: “Minha ideia era que Johan [Cruyff] treinasse o time, tendo Pep como adjunto, e que, na temporada seguinte, ele virasse o número um. Johan não disse nada. Eu o conheço, sei que toma decisões rápido. Por fim, ele me disse que deveríamos nomear Pep logo. Txiki concordava: ‘Guardiola está pronto para ser treinador do primeiro time’. Propus essa solução numa reunião. Alguns eram a favor, outros queriam Mourinho. Falei: ‘Mourinho não, vai ser o Pep’.”

Em 8 de maio de 2008, menos de dois anos depois de receber o diploma de treinador, Guardiola foi nomeado técnico do time do qual fora capitão e símbolo por cerca de dez anos. Sua primeira medida foi impor o afastamento das três estrelas: Ronaldinho, Deco e Eto’o.

Os dois primeiros aceitaram; o camaronês ganhou uma temporada de descanso. No primeiro treino, Pep se dirigiu aos jogadores: “Não vou prometer que vamos ganhar títulos. Vamos tentar. Mas apertem bem os cintos, porque vocês vão passar ótimos momentos.”

Pep acabava de se tornar Guardiola.

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Publicado originalmente na revista francesa “So Foot”. Colaboraram Javier Prieto Santos e Aquiles Furlone, de Buenos Aires.





quinta-feira, 26 de abril de 2012

O Dia do Goleiro

Hoje é o dia daquele que toma bolada, que em diversas situações carrega nas costas a responsabilidade de uma partida, que muitas vezes é visto como estraga-prazeres, enfim, hoje é dia do atleta mais injustiçado do futebol: O GOLEIRO.


O futebol surgiu na Inglaterra no ano de 1863. Mas apenas em 1871 a posição de goleiro foi criada.

Inicialmente, a ideia era ter um jogador que pudesse pegar a bola com as mãos para dificultar a vida dos outros dentro de campo.

Obviamente, por evitar o momento mais esperado do esporte - o gol -, o goleiro passou a ser o homem a ser batido e ganhou o rótulo de "grande vilão" do espetáculo.

O Brasil, que desde a chegada de Charles Miller, o grande responsável pela implantação do futebol no País, já se mostrava interessado pelo esporte bretão, enfrentava grandes problemas no que diz respeito a goleiros.

Geralmente o guarda-metas é aquele jogador que não tinha nenhuma habilidade com os pés. Pior que isso, em muitos casos mandavam para debaixo das traves os gordinhos, sem nenhum preparo físico ou a menor condição de correr meio metro do campo.

Claro que houve uma mudança nesse perfil. Mesmo porque, concluiu-se que quanto mais condicionado for o goleiro, mais agilidade ele tirá. O rendimento, sem dúvida, será maior.

Porém, o camisa 1 continuava a ser taxado como um inimigo.

Até mesmo seus companheiros de equipe o desprezavam como se fosse o "patinho feio" do grupo. Cronistas esportivos e pessoas ligadas ao futebol costumava dizer que em campo seriam "10 jogadores e mais 1". E era exatamente dessa forma que o goleiro se sentia: Apenas 1, largado, abandonado, isolado.


O "vilão brasileiro"

Em 1950, na Copa do Mundo realizada no Brasil, a seleção Brasileira vinha arrasadora. Na primeira fase havia batido o México (4 a 0),  empatou com a Suíça (2 a 2) e venceu a Iugoslávia por (2 a 0). Em suas chaves, o Uruguai, Suécia e Espanha também fizeram boa campanha e, assim, disputaram um quadrangular final para saber quem seria o campeão.

No quadrangular, Brasil e Uruguai se sobressaíram e disputaram a finalíssima, disputada no estádio do Maracanã.
O País inteiro parou para acompanhar o que seria o primeiro título mundial do Brasil.

A seleção canarinho era, sem dúvida, grande favorita ao caneco. Após vitórias esmagadoras sobre Suécia e Suíça, bastava apenas um empate diante do Uruguai e o sonho estaria concretizado.  

Aos dois minutos de bola rolando na segunda etapa Friaça abre o placar. Os mais de 200 mil espectadores no Maracanã foram à loucura. A comemoração estava armada. Nada estragaria a festa, assim pensaram.

Enganaram-se.

O Uruguai empatou com um gol de Juan Alberto Schiaffino, após cruzamento de Alcides Ghiggia, pela direita.
E foi depois do empate, faltando pouco menos do que 11 minutos para o encerramento da partida, que o Brasil conheceu o gosto mais amargo da bebida uruguaia. E foi, também, o momento mais tenebroso para um goleiro brasileiro.

Como se fosse um replay do primeiro gol uruguaio, Ghiggia descia pela direita como um trator desgovernado. Barbosa, o camisa 1 da seleção canarinho, e que até então havia feito uma tremenda Copa, percebeu a chegada de Shiaffino dentro da grande área.

Barbosa, tentando antever a jogada que parecia certa, deu alguns passos à frente e esperou o cruzamento e estava pronto para interceptá-lo. 

Mas como o futebol é algo inexplicável, Ghiggia errou o chute - o mesmo confessou anos depois - e a bola foi diretamente para o gol, passando entre a trave esquerda e a perna de Barbosa.

Uma fatalidade.

O Maracanã calou-se e Barbosa, sem forças, foi erguendo-se do chão, de onde preferia ter enterrado sua cabeça de tanta vergonha e decepção.

Não há dúvidas de que o culpado da derrota seria ele.

Barbosa passou de herói a vilão em frações de segundo. Sua vida nunca mais fora a mesma, embora depois da Copa ainda tenha feito jogos incríveis pelo Vasco da Gama e conquistado títulos importantes.

Anos depois, quando o Brasil se preparava para disputar a Copa do Mundo dos EUA, em 1994, Barbosa foi à Granja Comari, visitar a seleção brasileira e passar um recado aos goleiros. Porém, foi impedido de entrar. Zagalo não permitiu sua visita...


A "evolução"   

No final da década de 1960, o goleiro do Palmeiras Valdir Joaquim de Morais anunciava sua aposentadoria.

Mas menos de um ano após deixar os gramados, Valdir de Moriais estaria novamente atuando nos gramados, porém como preparador de goleiros.

À época, o técnico do Palmeiras era Osvaldo Brandão, muito amigo de Valdir.

Valdir tinha um pequeno comércio em São Paulo e Brandão frequentava quase que diariamente o estabelecimento do amigo.

Numa dessas visitas, convidou Valdir para ser auxiliar técnico. Foi quando Valdir sugeriu a Brandão a ideia dele se tornar um treinador de goleiros do Palmeiras. Brandão topou.

O professor Valdir, como é conhecido hoje, se tornou o primeiro treinador de goleiros da história.

Ele foi o grande responsável pela evolução da profissão de goleiros, que passou a ter atenção especial e treinamentos específicos. Goleiros como Waldir Peres, Leão, Carlos, Zetti, Rogério Ceni, Marcos, entre outros, foram treinados por ele.


A Posição

De lá para cá os goleiros foram se aperfeiçoando.

Algumas técnicas tiveram de ser adotadas para se adaptar às novas regras do futebol que, por sinal, beneficiam o jogador de linha, claro.

Para que você acha que os organizadores proibem que o goleiro fique com a bola mais de cinco segundos? Ou que peguem a bola com a mão quando recuada por um jogador do mesmo time?

Obviamente para facilitar o gol, que é o grande momento do esporte.

A cada ano que passa as bolas ficam mais leves. Isso permite que o atacante, ao chutar, coloque mais força e mais efeito sobre a redonda, o que dificulta ainda mais a vida do guarda-metas.

Na última copa do mundo, em 2010, na África, por exemplo, os goleiros andaram reclamando da leveza da tal "Jabulani" - nome dado à bola da Copa de 2010. 

O goleiro Cassilas, da Espanha, foi um dos que fez duras críticas a respeito. "Às vezes, é um pouco triste que uma competição tão grande como um Mundial tenha um elemento tão importante como a bola com essas péssimas condições", reclamou.

O fato é que a imagem de vilão que perseguiu os "guapos" do passado hoje não existe mais. Pelo menos não como antigamente.

Hoje em dia temos muitos goleiros ídolos, que vestem a camisa e se tornam grandes líderes. Basta ver Rogério Ceni e Marcos, no São Paulo e no Palmeiras, respectivamente.

Como o próprio professor Valdir me disse, "o goleiro sempre foi peça fundamental para uma equipe. Mas apenas agora perceberam isso". Todo grande time começa por um grande goleiro.

No documentário "Goleiros: Onde não Nasce Grama, Surgem Ídolos", Zetti, ex-goleiro do São Paulo e Seleção Brasileira, afirma que o primeiro a ter seu contrato renovado no time, atualmente, é o goleiro. "O clube, quando percebe que o goleiro é bom, ele já renova com o atleta o quanto antes".

Enfim, tudo isso simplesmente para mostrar a importância do goleiro no cenário esportivo.

Até porque é ele quem sofre, cai, se machuca, toma bolada, ouvi gritos e ainda tem nas costas toda a responsabilidade de impedir o sucesso do adversário.

Portanto, parabéns a você que é goleiro, seja profissional ou amador, por esse dia tão especial.


  

quinta-feira, 29 de março de 2012

Até quando veremos pessoas morrendo e autoridades cruzando os braços?

Quatro dias após o confronto entre marginais das organizadas Mancha Verde e Gaviões da Fiel, que resultou na morte dos torcedores palmeirenses André e Guilherme, o assunto repercurte como uma bomba.

E de fato é uma bomba. Mas uma bomba que não para de explodir.

Aliás, não é de hoje que essa guerra causa pânico e medo em toda a sociedade. Pelo contrário. Há tempos os confrontos acontecem e tiram vidas de pessoas, às vezes, inocentes.

É verdade que nesse caso, segundo constatações da Polícia de São Paulo, os jovens que morreram estavam envolvidos diretamente na organização do confronto.

Mas o fato a ser discutido é a falta de preocupação por parte das autoridades (me refiro a Prefeito, Governador, Ministros, Presidente etc).

Lendo alguns blogs e matérias na internet que abordam o assunto, o que me deixou bastante sensibilizado foi o texto do repórter Cosme Rímoli, colunista do R7 - o portal de notícias da TV Record.

Eu adoraria comentar o que ele escreveu, mas o texto me deixou tão estarrecido, e ao mesmo tempo emocionado, que tomei a liberdade de reproduzí-lo inteiramente aqui no Papo de Bola.

Aproveito, inclusive, para parabenizar Rímoli pelo texto. Espero que ele chegue nas mãos de pessoas importantes desse país de modo que uma providência séria e definitiva - e não apenas um paleativo - seja tomada.


Veja o texto do Cosme Rímoli, extraído de seu blog, abaixo:


MORRERAM ANDRÉ E GUILHERME. MAS NÃO HÁ PROBLEMA ALGUM.
A MANCHA VERDE AINDA TEM COVAS ESPERANDO POR MAIS MORTES.
E ELAS VIRÃO. COM A CUMPLICIDADE DE DILMA, ALCKIMIN E KASSAB...

Chorando, Gildair Alves Lezo avisou.

No enterro do seu querido filho André nada que lembrasse a Mancha Verde.

Negou todos os pedidos de faixa, bandeira do Palmeiras em cima do caixão.

Nem o filho usaria nenhum adereço da torcida ou do clube que amava.

A mãe, evangélica, o vestiu com um terno.

E apesar do ferimento a bala na cabeça fez questão do caixão aberto.

Para todos pudessem ver as consequências do tiro que tomou na cabeça.

Gildair não teve forças para fazer os filhos gêmeos Tiago e André abandonarem a Mancha Verde.

Além deles, havia Lucas, gêmeo de André.

Como mãe ela sabia das brigas, dos confrontos com a polícia.

Teve a ilusão que ficando perto dos filhos os protegeria.

E se tornou uma participante de várias atividades sociais da torcida.

Principalmente distribuição de comida a desvalidos sem teto em São Paulo.

Mas a angústia sempre foi companheira da mãe dos palmeirenses.

O pai, militar, entendia a paixão dos filhos.

Só que não se dava conta de quanto tudo estava fugindo de controle.

Nem no ano passado, quando Lucas levou um tiro na perna em Presidente Prudente.

Foi em uma briga também com a torcida corintiana.

Apesar do susto, o garoto conseguiu se recuperar.

E voltou para a Mancha.

Ganhou o cargo de vice presidente.

Como se fosse uma medalha por bravura.

Sua voz era ouvida em várias decisões.

Torcedores dizem que ele e os irmãos Tiago e André não só sabiam da briga do domingo.

Como foram os mais ativos no preparativo para o confronto na Inajar de Souza.

Embora oficialmente a torcida garanta que tenha sido surpreendida pela Gaviões da Fiel...

Não é isso que muitos palmeirenses alegam.

E o selvagem confronto entre os 400 torcedores aconteceu.

Além das tradicionais barras de ferro, cano, facas, alguns levaram revolveres.

Os gêmeos Lenzi eram conhecidos e visados pelos corintianos.

As primeiras investigações da Polícia garantem que André não morreu por acaso.

A sua morte seria um prêmio para os Gaviões.

Gildair rezava todos os dias, pedia pelos filhos.

Não sabia que eles estavam jurados.

Até que chegou o domingo.

E na Inajar de Souza, avenida movimentada da Zona Norte de São Paulo, veio o confronto.

Policiais que estavam acompanhando a torcida do Palmeiras ao Pacaembu se afastaram.

Não tinham como enfrentar a raiva, a loucura das duas organizadas.

E assistiram a troca de golpes de barras de ferro nas cabeças dos menos afortunados...

Os rojões apontados para os rostos dos rivais.

Tijolos quebrados na testa dos torcedores.

Facadas.

E o tiro na cabeça de André.

A situação tomou uma proporção absurda.

A ponto de a Mancha Verde ter comprado 16 jazigos no cemitério Jaraguá.

Estão lá, reservados aos membros da torcida.

A mensagem é clara.

Podem morrer que a organizada garante o seu enterro.

Como pagou pelo de André.

E Guilherme Vinícius Jovanelli Moreira também terá o seu repouso eterno garantido.

O garoto de 19 anos da Mancha Verde acabou de ter a morte decretada.

Ele não suportou os golpes de barra de ferro que tomou na cabeça.

A violência do golpes causaram profundo traumatismo craniano.

Racharam sua cabeça.

Para a Mancha Verde só restam agora 15 covas.

Tiago Alves Lezo foi preso hoje.

Com ele foi encontrado um revólver que portava na briga.

Bastou a polícia se interessar e descobriu sua influência nos conflitos da Mancha.

Dois membros da Gaviões da Fiel também estão presos.

São suspeitos de terem dado o tiro que matou André.

A Polícia invadiu as sedes da Gaviões e da Mancha.

Levaram computadores.

Estão atrás do que todos sabiam há anos.

Que as facções combinavam brigas pela Internet.

Os policiais vasculham as sedes em busca dos arsenais dos torcedores.

Das barras de ferro, rojões, socos ingleses, facas e revólveres.

Enquanto isso, ninguém mais se lembra da dor de dona Gildair.

Enterrou um filho.

E passa pela vergonha de ter o outro preso.

Por imbecis brigas entre torcedores.

Mais uma família destroçada.

Por nada.

Mas vale lembrar para qualquer outra mãe desesperada.

Outra que tenha um filho na Mancha Verde.

Pelo menos com o velório e com o enterro não há o que se preocupar.

A torcida garante.

Mesmo com a morte de André e Guilherme tudo está sob controle.

Não há porque ter medo.

Ainda restam 15 covas para no cemitério Jaraguá...

Esta é a São Paulo de Geraldo Alckmin...

De Gilberto Kassab...

O Brasil de Dilma Rousseff...

Todos cúmplices nessas mortes...

Seus braços cruzados diante de uma legislação frouxa ajudaram a matar André e Guilherme.

E os muitos que ainda virão.

Para desespero de várias donas Gildair espalhadas pelo País.

Pobres donas de casas...

Que ficam o coração na mão quando chegam as quartas-feiras e os domingos.

Quando seus filhos colocam a camisa da organizada e saem de casa.

Sem a menor certeza que de que vão voltar...

quinta-feira, 22 de março de 2012

Pega leve, Treze...

Foto: GloboEsporte.com
É no mínimo "muito exagerada" a forma como estão conduzindo o futuro do meia Léo Rocha, do Treze da Paraíba, após perder o pênalti que eliminou sua equipe da Copa do Brasil.

Para quem não sabe, o Treze foi ao Rio de Janeiro encarar o Botafogo, no estádio Engenhão, e conseguiu arrancar um empate que deu direito a decidir a vaga nos pênaltis.

Logo na primeira cobrança os visitantes não converteram. Começaram mal.

Mas a esperança de seguir à frente na competição voltou com as duas defesas do goleiro Beto, que por sinal foi destaque da equipe paraibana durante o tempo normal.

Aí ficou nos pés de Léo Rocha. Se o meia marcasse, os "penais" dariam sequência em cobranças alternadas. Caso contrário, estava decretada a classificação da equipe carioca.

É verdade que numa decisão por pênaltis, tratando-se de uma chance talvez única para uma equipe pequena, que pouco aparece no cenário esportivo, a concentração e o comprometimento devem ser redobradas.

Se até o Loco Abreu entendeu que não havia clima para arriscar algo inusitado - vale lembrar que ele é considerado o especialista no que diz respeito a gols por pênaltis -, era sinal de que o jeito é simplificar.

E foi exatamente o que faltou para Léo: "simplificar".

Botou a mão na cintura, olhou para o goleiro Jéfferson, que quando abre os braços parece que vai abraçar as traves, correu como quem iria soltar o pé numa pancada daquelas e, de repente, vem o chute...

Num ato infeliz, num momento infeliz, e de forma infeliz, Léo Rocha tentou enganar o guarda-metas botafoguense com uma "meia-cavadinha" e se deu mal.

"Pelota" na mão de Jefferson e desclassificação do Treze-PB. Tristeza em dobro para o meia que passou a ser o grande vilão do duelo.

A hostilidade para com o atleta já começou dentro de campo, quando o goleiro e alguns jogadores do Botafogo correram imediatamente em direção ao oponente para massacrá-lo em palavras.

Tenho certeza que esse já foi o primeiro grande castigo ao atleta que, perante a todo público, incluindo o da televisão, assistiram ao vexame. Aposto que a vontade dele era cavar um buraco na grama e esconder o rosto.

Mas o pior ainda estava por vir.

Bastou descer as escadas que dão acesso aos vestiários para que o treinador de goleiros e o gerente de futebol do clube de Campina Grande iniciassem outro bombardeio sobre o jogador.

Se fosse no meu time, certamente eu não ficaria quieto. Não acho justo que um jogador coloque todo um trabalho a perder por um ato, digamos, de irresponsabilidade.

Ele tomaria um gancho e uma multinha "daquelas" para ficar mais esperto.

Mas o Treze foi além.

Julgou sumariamente o garoto, sem direito à defesa, como se ele fosse um assassino, um exterminador, um monstro, enfim, foi DEMITIDO.

Já vi tanto jogador brucutu arrebentando perna de adversário, cuspindo na cara de árbitro, ou chutando a bola de propósito para a arquibancada quando time estava perdendo e nem assim foi punido.

No São Paulo, por exemplo, Dagoberto fez coisas tão piores do que um pênalti não convertido e durou tanto tempo no clube. E o Adriano na Itália quando sequer comparecia aos treinos? Alguém se lembra dos elementos que chegavam bêbados no Corinthians e dormiam nas macas, debaixo das arquibancadas da Fazendinha - Sr. Gustavo Neri sabe do que estou falando? Pois é...

É obvio que Léo pisou na bola. Ele não poderia "arriscar" numa decisão tão importante. Mas vocês já imaginaram se, por ventura, o goleiro cai para o lado contrário? Simplesmente Léo estamparia as capas dos jornais como "um jogador frio", que "mostrou maturidade".  

Enfim, na minha opinião, sem curto e grosso, pegaram pesado com o jogador. Ponto final.


quarta-feira, 21 de março de 2012

O primeiro gol do Corinthians em uma Libertadores da América

O Corinthians fez sua lição de casa, ontem, ao bater o fraco Cruz Azul por 1 a 0, no Pacaembu, em jogo válido pela Taça Libertadores da América.

A vitória deu à equipe do Parque São Jorge a liderança do grupo 6.

Mas, voltando um pouco na história, e até aproveitando o gancho, você sabia que o primeiro gol do Timão na competição continental aconteceu em 1977, em duelo contra o Inter de Porto Alegre?

Pois é. Quem balançou a rede pela primeira vez com a camisa alvinegra foi o grande Zé Maria, aos 16 minutos de bola rolando no estádio do Morumbi.

Um gol no estilo corintiano de ser, com muita persistência.

O Inter empatou a partida aos 11 da etapa final, com um golaço de Zacaria.

O empate rendeu a classificação do colorado.


domingo, 18 de março de 2012

A vitória que faltava para o Tricolor decolar

Há tempos eu não via o São Paulo jogar um clássico como jogou na terde de hoje contra o Santos, no Morumbi, e que venceu heroicamente por 3 a 2.

A equipe comandada pelo técnico Emerson Leão, tão criticado por muitos na mídia esportiva, fez a sua melhor partida neste ano, principalmente por ter como adversário um time tão forte como o Santos, que conta com Ganso, Neymar, Arouca, Borges e companhia. sem contar, meus caros, que enfrentou essa máquina com um jogador a menos durante todo o segundo tempo.

O jogo já dava sinais de que seria eletrizante desde o apito inicial. Mas o São Paulo não deixou o Santos sequer respirar no primeiro tempo.

Foi um verdadeiro baile do São Paulo para cima do Santos.

Além de ter feito uma tremenda marcação no meio de campo, neutralizando as jogadas de Ganso e Neymar, o Tricolor armou um verdadeiro bombardeio ao gol adversário.

Só dava São Paulo.

Não demorou muito e, aos 8 minutos, Casemiro acerta um chute do meio da rua, a bola desvia em Edu Dracena e estufa a rede. 1 a 0 para os donos da casa. 

Depois disso, para aqueles que acreditavam numa reação santista, o São Paulo aumentou ainda mais o ritmo do jogo.

Só o zagueiro Paulo Miranda teve quatro chances de ampliar o placar. Sim, o zagueiro.  

Casemiro ainda se deu ao luxo (se deu ao luxo é ironia, pois poderia ter feito muita falta) de perder gol feito, cara a cara com o goleiro Rafael, em lindo passe do Luis Fabiano, que aproveitou o erro do Íbson no meio de campo.

Aos 22, Lucas recebe na direita, toca para Jadson que faz um corta luz, no estilo Palhinha, e na sequência Cícero emenda uma pancada de fora da área. Até eu gritei gol, mas bola bateu na rede pelo lado de fora.

E a pressão não para por aí. Aos 34, Lucas arranca e lança Jadson que por pouco não marcou o segundo do Tricolor. O santista respirou fundo nesse lance.

Analisando parcialmente, Cortez, Cícero e Lucas jogaram muito na primeira etapa. porém, na minha opinião, o destaque foi para o jovem Rodrigo Caio que, improvisado na lateral direita, fez uma marcação implacável sobre Neymar.

Aliás, Neymar e Ganso mal viram a cor da bola.

Bastava Neymar ameaçar para Rodrigo Caio desarmar.

O único chute a gol da equipe do Santos ocorreu aos 30, com Neymar, mas Denis fez uma baita defesa.

O SEGUNDO TEMPO...

...Começou ainda mais emocionante.

Se o São Paulo abriu o placar aos 8 do primeiro tempo, o Santos descontou aos 6 do segundo com Edu Dracena aproveitando uma falha na zaga tricolor. Aliás, cá entre nós, falha do Casemiro, o autor do gol são-paulino na primeira etapa (vale lembrar).

E as coisas poderiam mudar de figura dois minutos após o gol santista, quando Rodrigo Caio, que até então fazia uma tremenda partida, comete falta dura em Neymar e é expulso justamente.

Nesse momento, o Peixe melhorou bastante, mas ainda é o São Paulo quem dá o tom do clássico.

Provou isso aos 18 minutos, numa tabelinha perfeita entre Lucas e Luis Fabiano. O Fabuloso recebe sozinho, corta o goleiro e sofre o pênalti. Ele próprio bate e coloca o Tricolor novamente à frente no marcador.

Aos 22 minutos, Neymar chuta na gaveta.

Gol do Santos? Nada. Denis pratica outra grande defesa, para alívio do torcedor Tricolor.

Enquanto isso, Lucas se mostrava o maestro do espetáculo.

Chamou a "responsa" para si e entortou a zaga santista diversas vezes.

Era drible pra cá, pedalada para lá, cruzamento, marcação, enfim, fez de tudo no jogo.

Isso porque ele sequer sabia que o técnico da Seleção Brasileira estava presente em uma das tribunas do estádio.

Mas o duelo prometia mais.

Neymar, aos 31, empata novamente depois de outra falha de Casemiro. 2 a 2 no placar.

Sinceramente, pelo que conheço do São Paulo dos últimos três anos, e também por estar com um jogador a menos, achei que o Santos viraria o jogo e sairia com os três pontos.

Enganei-me.

Ao 42 minutos, o craque da partida, recebe belo passe de Cortez na lateral direita, invade a área e cruza para Cortez que, dentro da pequena área chuta para o gol mas acerta a trave. Mas como a bola procura quem sabe, ela cai novamente no pé de Lucas que marca o terceiro gol do clube das três cores, sacramentando a vitória.

Um jogaço de bola.

Ao São Paulo, foi a vitória que faltava para confirmar sua ascensão como equipe.

Já ao Santos, um alerta de que há erros e excesso de confiança. Deve tomar cuidado nessa Libertadores.

Assista aos gols da partida entre São Paulo e Santos

sábado, 17 de março de 2012

Sem dificuldade, Palmeiras bate a Ponte e assume a liderança

Determinado momento do campeonato Paulista do ano passado ouvi Felipão, técnico do Palmeiras, dizer que sua equipe começaria a entrar nos eixos apenas no ano seguinte (2012). 

Lembro-me também que o comandante alviverde ressaltou a importância da chegada de novos reforços para compor a equipe que, até então, era motivo de criticas da imprensa, vaias de sua torcida e gozação dos adversários.

A primeira mudança aconteceu no finalzinho da temporada passada, quando o goleiro Marcos anunciou sua aposentadoria, deixando sua vaga ao mais que promissor Deola.

Alguns jogadores foram dispensados, uns deixaram o clube e outros chegaram.

Dentre os novatos, o atacante argentino Barcos foi a melhor das surpresas.

Em meio à desconfiança geral, tanto dos que acompanham futebol com mais rigor quantos os apaixonados pelo clube, Barcos tem provado a cada partida que é o protagonista desse elenco.

A reação do Palmeiras é visível e não me parece passageira.

Felipão tinha razão... Precisava um pouco mais de tempo de trabalho e algumas peças novas para botar ordem na casa.

O retorno de Valdívia à equipe também foi fundamental. Com ele em campo a bola corre os dois lados do campo e chega com mais qualidade ao ataque. E não é nem um pouco à toa que possui o melhor ataque do campeonato.

O JOGO DE HOJE

Na partida de hoje, contra a Ponte Preta, no estádio do Pacaembu, o Palmeiras fez a lição de casa e venceu sem a menor dificuldade.

Não precisou mais do que 2 minutos para o time de Felipão abrir o placar e incendiar os mais de 20 mil torcedores presentes nas arquibancadas.

Daniel Carvalho e Valdívia se acertaram perfeitamente no meio de campo e, depois de uma tabelinha, a bola caiu no pé de Juninho que, ao perceber o goleiro saindo para cobrir o ângulo, deu um tapinha por cima e marcou um golaço.

Se o Palmeiras já mandava no jogo antes do gol, depois então foi um verdadeiro massacre.

A Ponte recuou. Sentiu-se acuada. Amedrontou-se.

Foto: GloboEsporte.com / Wagner Carmo - Agência estado
A pressão aumentou ainda mais depois do golaço de falta de Marcos Assunção, aos 11 minutos.

Só nos minutos finais a Macaca conseguiu equilibrar a partida. Chegou até a diminuir o placar com um gol de Ferron.

O segundo tempo, no entanto, não teve nenhuma surpresa e foi muito bem administrado pela equipe da casa.

O Verdão teve no mínimo quatro boas chances de ampliar, três delas com o Barcos, mas parou nas mãos do goleiro Lauro.

Final: Palmeiras 2 a 1 sobre a Ponte Preta.

O resultado o coloca na liderança da competição, porém provisoriamente, já que o Corinthians joga amanhã e, se vencer, reassume a ponta.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Luis Fabiano desencanta e São Paulo atropela Independente-PA


Foto: Globo Esporte.com / Wagner Carmo - Vipcomm
Completamente diferente do primeiro jogo, dessa vez, em casa, o São Paulo goleou o Independente-PA por 4 a 0 e segue vivo na Copa do Brasil.

Apoiado por pouco mais de 15 mil torcedores (número abaixo do esperado, porém bastante aceitável levando em consideração o horário horrível da partida: 19h30) o Tricolor não deu a menor chance para os visitantes.

Mostrou sua força desde o primeiro minuto dominando completamente a situação da partida e, aos 33 do primeiro tempo Fabuloso balançou a rede pela primeira vez.

As broncas de Leão, no decorrer da semana, parecem ter surtido efeitos positivos, pelo menos para Lucas que foi alvo de críticas do comandante por estar abusando nas jogadas individuais.
Dessa vez o garoto mostrou-se mais "solidário". Soube identificar o momento certo de carregar e o de soltar a bola para o companheiro.

Mas o destaque de hoje, sem dúvida, fica para o Luis Fabiano.

O camisa 9 foi o autor dos quatro gols. Aliás, a atuação desta noite foi uma resposta aos que vem criticando o Fabuloso, chamando-o, inclusive, de pipoqueiro e fracassado.   

Recuperado de uma lesão que o afastou dos gramados por longas semanas, o atacante são-paulino parece ter voltado com excelente preparo físico.

Está fininho, se movimentando bastante, com bom arranque. Sem contar a importante liderança que exerce sobre seus companheiros, papel que até então pertencia ao goleiro Rogério Ceni (afastado por lesão no ombro direito), e que vem praticando com muita responsabidade. 

Agora, verdade seja dita. Vencer o Independente por um placar elástico como o de hoje não é exagero, mas sim obrigação.

Mostrará que é um time forte se repetir o feito sobre o Santos, no próximo domingo. E não estou falando de goleada, claro, mas de uma vitória simples jogando um futebol digno de clube grande.

Se isso ocorrer, enfim, o São Paulo estará pronto para brigar pelo título.

Caso contrário...

Assista aos gols de Luis Fabiano na vitória do São Paulo sobre o Independente-PA: